Sudeste é a região com mais trabalhadores submetidos à escravidão

A região mais rica do Brasil, a Sudeste, tornou-se no ano passado, pela primeira vez, aquela em que o Ministério Público do Trabalho encontrou o maior número de trabalhadores submetidos ao regime de escravidão.

Segundo relatório divulgado ontem pela coordenação nacional de Erradicação do Trabalho Escravo do MPT, o número de trabalhadores resgatados em todo o país diminuiu - de 5.016, em 2008, para 3.571, em 2009 - mas, na Região Sudeste, chegou a 1.310 no ano passado.

"Atribuo isso à modificação da legislação, que veio a ser mais protetora e a considerar dois novos tipos de condições de trabalho escravo, que são a jornada exaustiva e as condições degradadas de trabalho, que podem se verificar com mais facilidade nos grandes centros urbanos", disse Sebastião Caixeta, coordenador do grupo de combate ao trabalho escravo.

Na capital de São Paulo, sindicatos de trabalhadores e outras entidades ligadas ao setor da construção civil vêm alertando para o aparecimento da figura do gato na administração da mão de obra utilizada por empresas terceirizadas e que prestam serviço nos canteiros da cidade.

Com altos índices de terceirização, o setor passa por um forte aquecimento e bateu recordes de contratação com carteira assinada. O mesmo aquecimento acontece entre os terceirizados e essa demanda atrai o gato para a metrópole.

Como acontecia na zona rural com os bóias-frias, os pedreiros e serventes contratados pelos gatos da construção oferecem salários baixos e condições precárias de trabalho.

No Rio de Janeiro o número de resgatados aumentou de 48, em 2008, para 521, no ano passado. Eles foram encontrados em Campos dos Goytacazes, numa empresa de beneficiamento de cana-de-açúcar.

Na Região Centro-Oeste o grupo de combate ao trabalho escravo liberou 972 trabalhadores - 334 apenas no estado de Tocantins. Na Região Nordeste, foram feitos 874 resgates, predominantemente em Pernambuco.

Na Região Norte foram encontrados 368 trabalhadores em situação análoga à de escravidão - 326 no Pará. No Sul foram encontrados 315 - 227 no Paraná.

Sebastião Caixeta anunciou que neste ano o Ministério Público vai fiscalizar com mais rigor atividades que tradicionalmente registram grande número de ocorrências de trabalho análogo ao de escravidão, como as de carvoarias e de cultivo e colheita de cana-de-açúcar.

Fonte: Brasília Confidencial – 27/01/2010