Empresários não aceitam negociar e votação das 40 horas segue indefinida

Os representantes das seis Centrais Sindicais que foram ontem (9) a Brasília tentar definir com o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), a data de votação da PEC das 40 horas no plenário da Casa, decidiram marcar um encontro para debater quais serão os próximos passos na mobilização pela redução da jornada. O encontro será dia 1º de março, em São Paulo.

Antes da reunião com sindicalistas da CUT, Força Sindical, CTB, Nova Central, UGT e CGTB, Michel Temer recebeu representantes da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que firmaram posição contra a PEC 231/95, que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e eleva o valor da hora extra de 50 para 75%.

Com as Centrais, Temer chegou a cogitar um acordo que garantisse a redução gradativa da jornada – inicialmente para 42 horas, sem alteração no adicional da hora extra – mas a proposta foi rechaçada pelos líderes sindicais. “Nem sequer discutimos essa possibilidade”, ressaltou o presidente da CTB, Wagner Gomes.

Mobilização - O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho), afirmou que após o Carnaval haverá “um festival de greves em todo País” para reivindicar a redução da jornada. Paulinho informou que a sugestão de Temer previa ainda uma compensação fiscal ao empresariado.

“Vamos mostrar que temos base social, que temos capacidade de mobilização, sem isso não vai haver mudança”, assinalou o presidente da CUT, Artur Henrique. O sindicalista denunciou também que a proposta de benefícios fiscais “é uma tentativa de escamotear o debate, pois houve imenso ganho de capital e de produtividade”.

Fonte: Diap - 10/02/2010